sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Maratón del Bicentenario - Asunción - Paraguay

Texto, fotos e vídeos de Marcos Viana "Pinguim"
Prefácio

Minha linha fotográfica atualmente esta voltada prioritariamente a cobertura jornalística mas também dedico a devida atenção para os meus fieis clientes, durante esses mais de 8 anos trabalhando para Contra Relógio, após fazer a cobertura fotográfica "correndo todo o percurso" de 19 maratonas, 3 ultramaratonas e centenas de corridas de menor distância, e que me mantiveram todo esse tempo entusiasmado em fazer as melhores fotos para revista, resolvi levar toda essa minha experiência adquirida no nosso Brasil para "plus ultra" ou seja para "mais além".

Inicio assim minha carreira internacional, "antes tarde do que nunca" e "antes perto do que longe".

Porque escolhi Assunção

Achei uma atitude inteligente colaborar com o surgimento de uma maratona anual em Assunção, que vem consolidar o grande potencial turístico do Mercosul, é ótima a idéia de todos os países da região ter sua maratona, bom para todos os atletas da região pois é mais uma opção econômica de se fazer uma maratona internacional sem gastar muito dinheiro e tempo, Assunção tem a vantagem de ter a Maratona fora do Brasil mais perto do super eixo Rio-São Paulo-Minas, onde se localiza mais de 50% dos maratonistas do país.

É claro que além da menor distância física também existe o importante fator da menor distância cultural, além do paraguaio falar o espanhol que é um idioma muito próximo do nosso, temos a comodidade de muitos paraguaios falarem bem o português principalmente os profissionais do setor hoteleiro e de compras que estão pra lá de habituados a receber turistas brasileiros.

Viajando para Assunção

Resolvi viajar de ônibus para Assunção pois queria conhecer as estradas e o interior do Paraguai, comprei passagem no Terminal Rodoviário Tietê, viajei pela viação Pluma, embarquei no dia 5 de agosto as 18:30 horas, no momento era o único horário disponível, só sai um ônibus por dia dessa viação para Assunção.

Na manhã do dia 6 já estava atravessando a famosa Ponte da Amizade na divisa do município brasileiro de Foz de Iguaçu e do município paraguaio de Ciudad del Este, onde resolvi fazer minhas primeiras fotos.

Aqui podemos ver pintado na ponte a divisa feita pelo "homem" entre o Brasil (esquerda) e o Paraguai (direita), tendo ao fundo o imponente rio Paraná.

Primeira visão de Ciudad del Leste.

Ciudad del Leste esta situada no extremo leste do país, a cidade foi fundada em 1957 com nome de Puerto Flor de Lís. Renomeada de Puerto Stroessner no período da ditadura paraguaia. Ganhou o nome atual após a queda do regime ditatorial do general Alfredo Stroessner.

É a terceira maior zona de livre comércio do mundo, depois de Miami e Hong Kong. A economia da cidade, como a economia do Paraguai, dependente fortemente do comércio com o Brasil, embora a economia também se diversificou em outras áreas, especialmente no agronegócio, em Ciudad del Este estão estabelecidas as maiores empresas agrícolas do Paraguai.

Aqui podemos perceber o intenso movimento de veículos na região.


Ela é chamada de "Ciudad Jardín" pela bela vegetação da área urbana, embora o crescimento da cidade tenha vindo a diminuir suas áreas verdes.




Logo após atravessar a ponte troquei meus reais por guaranis, vendi cada real por 2.580 guaranis, fazendo assim bom negócio pois a cotação estava variando entre 2.300 a 2.600 guaranis, esta nota exibida na foto estava valendo aproximadamente R$40,00.

Fiz vários amigos durante a viagem todos nascidos no Paraguai.

Pedro Sartorio com sua namorada que não me recordo o nome, veio morar no Brasil ainda quando era criança, me deu várias dicas e ainda me indicou o cambista camarada.
Gilberto e sua esposa.
Christian que lembra um pouco o nosso famoso jogador Ronaldinho.

O caminho principal que liga Ciudad del Leste com a capital Assunção é dividida em duas estradas, a Ruta 7 com extensão de 193 km que liga Ciudad del Leste até Coronel Oviedo e a Ruta 2 com extensão de 132 km que liga Coronel Oviedo até a capital Assunção.

A marca brasileira Brahma esta presente em praticamente todos os estabelecimentos comercias da região.
Uma peculiaridade das Rutas 7 e 2 é a grande quantidade de animais na beira da estrada.
Também vi uma grande quantidade de cruzes na beira da estrada.
Os típicos taxis verdes de Caaguazú.
E vários postos da Petrobras.

Na parada para almoçar aproveitei para bater uma foto da "espaçonave" em que viajava.

Esta é a maior chiperia do caminho, as vendedoras entram no ônibus para vender as chipas, semelhante ao pão de queijo mineiro, eu aproveitei para comer uma.
Aqui esta eu depois de 22 horas de viagem chegando em Assunção, ainda peguei um pouco de trânsito na periferia, até chegar na rodoviária exatamente 23 horas depois, no meu relógio marcava 17:30, mas devido ter viajado cerca de 1320 km para ocidente "quase " em linha reta ganhei uma hora, o fuso horário de Assunção e de todo o Paraguai tem uma hora a menos que o de Brasilia, apesar que se eu continuasse viajando mais para o ocidente em menos de uma hora atravessaria a fronteira do Paraguai com província Argentina de Formosa que segue o horário de Buenos Aires que por curiosidade tem o mesmo horário de Brasília, deveriam mudar o nome do fuso horário para "confuso" horário (risos).

Da rodoviária pequei um ônibus urbano para chegar no centro histórico mais precisamente na Praça Uruguaya, onde se localiza o antigo Ferrocarril (uma das primeiras estações ferroviarias da América do Sul), local onde estava ocorrendo a "Expo Maratón", logo encontro a lendária e viajada Equipe Baleias, aqui na foto vemos o chefe supremo da equipe o famoso Dom Miguel Delgado, pousando de Marechal Francisco Solano Lopez.



Aqui vemos o animador da Expo Maratón, o maratonista norte-americano John 'Maddog' Wallace's que correu 108 maratonas em 108 países diferentes e a organizadora da maratona Myrta Doldán.

Myrta Doldán e o recordista brasileiro em participações de maratona Edson Sanches, ele disse que fez em Assunção sua 564ª maratona.

Aqui vemos um dos maratonistas estrangeiros dançando com uma das modelos locais.


Miguel Delgado dançando com a organizadora Myrta Doldán e o maratonista Edson Sanches dançando com uma modelo.


John 'Maddog' Wallace's dançando com uma das modelos.

Parte dos atletas estrangeiros que estavam partipando da dança de confraternização com os organizadores.
Um dos vários grupos de dança folclórica do Paraguai que se apresentaram na Expo Maratón.


Depois fui dormir no Hotel Chaco, na manhã do dia 7 de agosto, acordei com a vista panorâmica de Assunção, aproveitei para fazer várias fotos que foram tiradas da sacada do quarto onde estava hospedado, no sétimo andar.




Voltei na Expo Maratón onde encontrei o amigo Pedro Sartorio, que viajou no mesmo ônibus de São Paulo para Assunção, ele foi pegar o kit para correr a Meia-Maratona, aproveitei e pedi para ele bater algumas fotos.

A entrega dos kits estava super organizada, resolvi tirar algumas fotos para comprovar.





Os atletas inscritos tiveram direito de fazer um Tour pala cidade de Assunção, monitorado pelo guia turístico Víctor Cáceres que também ficou meu amigo, o ônibus nos aguardava em frente ao Ferrocarril, que como havia dito era o local da Expo Maratón.
Logo na primeira parada do Tour encontro um pequeno morcego que devia estar machucado, resolvi tirar ele da calçada pois poderia ser pisoteado, mostrei para todos os companheiros do passeio e deixei ele debaixo de uma árvore no meio de uma grande praça, afinal para a natureza não existe "fronteiras".
Na foto, o maratonista Miguel Delgado, as ultramaratonistas Maria das Graças e Maria José, eu e meu amigo Morcego que estava protegido dentro da bolsa da minha câmera fotográfica que estava sendo usada para tirar essa foto.
"La Catedral Metropolitana de Asunción, uno de los siete tesoros de la ciudad"
Encontramos um raro Citroën 2CV, o mais mítico modelo fabricado pela marca francesa, circulando tranquilamente pelo centro histórico de Assunção.

Deixei o morcego neste local, afinal quem não gosta de "sombra e água fresca", depois dessa o "Batman" tem que fazer as pazes com o "Pinguim" (risos).

Logo em seguida tirei fotos da grande obra feita pelo engenheiro e escultor paraguaio Hermann Guggiari.




Maria das Graças e Maria José não perderam a oportunidade de serem fotografadas em frente da significativa obra.
Maria das Graças e outros atletas-turistas aproveitaram para comprar algumas peças do artesanato local.

Enquanto isso eu aproveitei o tempo para fotografar a grande quantidade de prédios históricos em bom estado de conservação, um belo exemplo para ser seguido pelas "grandiosas" e "orgulhosas" prefeituras das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro que deixam muito a desejar neste quesito, pois dinheiro com certeza não falta devida a gigantesca arrecadação de impostos, falta é por a mão na massa, mas vou deixar esse assunto para um futuro "artigo".




A foto oficial dos atletas turistas foi tirada entre a Baía de Assunção e o famoso Palacio de los López.
Pelo menos uma foto da Baía de Assunção eu tenho que mostrar, é claro que existem melhores locais para fotografar a baía, que irei procurar numa próxima oportunidade, porém o lugar que estavamos é ideal para fotografar o Palacio de los López, fiz questão de fazer mais uma dessa vez sem os turistas, uma pequena observação, essa é a parte de traz do palácio.
Veja uma apresentação do "Ballet Folclórico de Asunción" que foi gravado exatamente mesmo local onde bati a foto anterior.


Sede do Tribunal Permanente de Revisão do Mercosul.

Depois de almoçar e experimentar as cervejas do Paraguai, voltei para a Expo Maratón e filmei os últimos shows antes de jantar.



Tive a oportunidade de registrar a grande apresentação de uma das mais famosas cantoras do Paraguai, ele se chama Lizza Bogado, veja que bela interpretação.


O dia da corrida
Esta maratona teve um belo pórtico de largada...
...um belo "maratonmóvel"...
...velhos amigos brasileiros...
...e novos amigos paraguaios.
O espirito da corrida é universal, e sempre unirá as pessoas de várias nacionalidades, religiões e classes sociais.
A brasileira Janete Barbosa, a argentina Gabriela Almada e a brasileira Andrea Celeste.
O queniano Titus Kipkosgei e a queniana Nancy Kipron Jepkosgei.

Tivemos a honrada presença do Presidente da República do Paraguai Fernando Lugo.

















A Equipe Baleias fez questão de estampar a bandeira do Brasil nas costas em tamanho maior, estavamos passando pela "Plaza Uruguaya", da para ver ao fundo a direita parte do "Ferrocarril".
Resolvi "mudar de marcha" para fotografar o Miguel e Wu passando em frente do "Ferrocarril".
Marcelo Jacoto segurando a bandeira do Brasil, tendo ao fundo novamente Miguel e Wu e o "Panteón de los Heróes".
Correr em frente ao "Panteón de los Heróes" não tem preço.
Por praticamente todo o percurso viamos uma torcida muita simpática e animada sempre dizendo a palavra "Fuerza", repare o belo simbolo do Bicentenário da Independência com a cores da bandeira do Paraguai amarrado no cabelo da atleta do meio, na faixa esta escrito "Todos podemos llegar lejos" que significa "Todos nós podemos ir longe", alguém duvida?
Passamos por "La Catedral Metropolitana de Asunción".
A bandeira do Paraguai estava sendo exibida por toda parte.
Passamos também pela parte oposta do "Ferrocarril", onde podemos observar a substituição da linha ferrea por asfalto, triste fato que também aconteceu em várias partes do Brasil.

"Asunción" realmente surpreende de maneira positiva, principalmente aos que apreciam a "arquitetura historicista" como eu, repare nos detalhes das construções.




Boa sinalização avisando aos "camisas brancas" que iam correr 10 km para retornar.
Aqui vemos os "camisas vermelhas" da maratona e os "camisas azuis" da meia-maratona, que estavam curtindo o belo visual da avenida bem arborizada.
Um dos vários postos de hidratação pelo caminho, este era da Powerade.
Um dos simpáticos staffs da prova.
A maioria dos corredores não perceberam que passaram em frente do Cemitério da Recoleta o mais tradicional e antigo de "Asunción".
Os conquistadores espanhóis deixaram suas marcas no idioma, na religião e também num dos maiores supermercados da cidade.
Tigo é uma das principais operadoras de celular do Paraguai e também estava patrocinando a maratona.
Parei num dos postos da Petrobras para fazer um "pit-stop" (risos).
Daqui em diante só quem continua em linha reta são os valentes "camisas vermelhas", mas os "camisas brancas" e os "camisas azuis" também merecem nosso aplausos, vos ofereço minhas onomatopaicas palmas.
Clap!, Clap!, Clap!, Clap!, Clap!, Clap!, Clap!
Logo vemos o primeiro maratonista cadeirante voltando para completar os 42km, ele é brasileiro e se chama Carlos Roberto Oliveira e fez o incrível tempo de 02:05:34. Clap!, Clap!, Clap!, Clap!, Clap!, Clap!, Clap!
Aqui vemos um bom grupo bem ritmado.
Consegui fotografar o brasileiro Elias Rodrigues Bastos voltando, ele foi o grande campeão da Maratona completando com o tempo de 2:27:51, mais aplausos. Clap!, Clap!, Clap!, Clap!, Clap!, Clap!, Clap!
Também registrei a volta da argentina Gabriela Almada voltando para ser a grande campeã feminina da Maratona completando com o tempo de 2:55:02, vamos pessoal, mais aplausos. Clap!, Clap!, Clap!, Clap!, Clap!, Clap!, Clap!
Somente os "camisas vermelhas" tiveram o privilégio de correr em frente da imponente "Confederación Sudamericana de Fútbol", nesse momento os maratonistas estavam correndo na cidade de Luque (Grande Assunção), o aeroporto também fica nessa cidade.
Carlos Hideaki estava correndo muito bem, mais uma vez não consegui alcança-lo.
Incentivei, ou melhor eu aticei o Wu (risos) e falei "vai alcançar o Hideaki que ele ta perto", ele até conseguiu passar ele, mas depois o Hideaki passou ele de novo.
Até que enfim cheguei na metade da prova.
Minha primeira visão do "Aeropuerto Internacional Silvio Pettirossi"
Na volta encontro o Esio...
...e a ultramaratonista Elisete indo completar a metade da prova.
Na volta recuperamos as energias com mais doses de Powerade e de simpatia dos staffs locais.
Em "Asunción" como na maioria das cidades hispano-americanas as estudantes ainda usam os uniformes escolares, me fez lembrar as novelas mexicanas.
A maioria dos ônibus de Assunção são decorados ao gosto do motorista, do mesmo jeito que os caminhoneiros brasileiros enfeitam seus caminhões.
O título dessa foto poderia ser "Amigos para siempre".
Agora vejo uma luz no fim do túnel (risos).
Foram quase cinco horas correndo e ainda tive o privilégio de ver torcedores aplaudindo.
Sempre gostei de registrar o relógio e o ambiente do pórtico na chegada.
Finalmente posso mostrar para vocês a foto oficial da chegada da minha primeira maratona fora do Brasil, o tempo oficial (líquido) foi de 4:51:19.
A estrutura médica também era exemplar.

Vários fisioterapeutas estavam em prontidão para atender os maratonistas.

Hideaki, Esio, a vice-campeã feminina da maratona Janete Barbosa, Miguel, Tinil, a organizadora Myrta Doldán e eu.
Detalhe do ex "Cabildo del Congreso de Paraguay", atualmente convertido em Museu.

Depois fomos para hotel, tomar banho para depois começar a grande confraternização, logo que cheguei já estavam brindando no restaurante do Hotel Chaco.

Depois todos fomos convidados para um almoço de confraternização na residência da organizadora Myrta Doldán, confira quem foi, dessa vez é muita gente para eu citar nomes, prefiro apenas mostrar as fotos para não correr o risco de esquecer ninguém.


Nessa foto eu fiz questão de sair, estou no canto direito.

Todos os corredores que estão na lista de classificação tem a disponibilidade de imprimir este belo "Certificado de Participación" em alta resolução.

Todas as fotos que fiz da "Maraton del Bicentenário" já estão no site oficial da prova com os meus devidos créditos.

Ligações externas

Fotos do "Maratón del Bicentenário"
Site oficial do "Maratón del Bicentenário"
Artigo sobre Assunção
Artigo sobre o Paraguai
Relação das 27 maratonas e 3 ultramaratonas que participei
Meus endereços para contato

terça-feira, 6 de julho de 2010

Maratona Beto Carrero - Correndo no Mundo da Diversão e Fantasia

Texto, fotos e vídeos de Marcos Viana "Pinguim"
No dia 4 de julho aconteceu a 3ª edição da Maratona Beto Carrero. Essa maratona foi criada para estimular o trabalho em equipe através do revezamento de 2, 4 ou 8 corredores que tem que percorrer um circuito de 5.250 metros que nesse ano teve um aumento do trecho em asfalto, agora com 1.800 metros totalmente plano e diminuição do trecho de terra batida que ficou com 3.450 metros de relevo levemente acidentado.

O local de largada também foi uma novidade, passou a ser dentro da mais nova estrutura do parque projetada para apresentação do Beto Carrero Extreme Show, é um autêntico e magnífico autódromo que tem uma belíssima arquibancada, para cerca de 3000 pessoas, que fica em frente a um grande pátio totalmente asfaltado, se transformando assim no local ideal do parque para concentração dos atletas, tanto para largada como para chegada, não devendo nada para as estruturas montadas nas provas de revezamento do autódromo de Interlagos e ainda tendo a vantagem de dispor das mais variadas paisagens onde encontramos uma variada fauna e flora e várias "vilas cenográficas", tornando-se sem sombra de dúvida o mais agradavel percurso de revezamento do Brasil. Por esse "importante" motivo resolvi correr todas as 8 voltas do percurso totalizando os 42 km em 4:09:30.


Pela minha experiência em correr em todos os tipos de terreno posso afirmar que é uma das melhores provas para se iniciar em corridas do tipo "cross country" e até mesmo para quem quer iniciar em corridas de montanha de curta e média distância (entre 4 a 12 km).





Luciano Prado e o Guiness Book
Pela segunda vez o ultramaratonista Luciano Prado esteve no Beto Carrero World para mais uma tentativa de bater o recorde mundial de 24 horas em esteira para escrever seu nome no Guiness Book, nas primeiras 12 horas estava indo muito bem, mas devido a uma pequena fratura de estresse teve que parar por recomendações médicas.



Uma evento para toda famíla

Sem dúvida a maior vantagem de participar dessa prova é o clima de descontração e de muita alegria entre os famíliares e amigos, um das poucas corridas do Brasil onde pais, filhos e sobrinhos se divertem simultaneamente pois após a corrida todos os partipantes e familiares vão aproveitar as inúmeras atrações que o Parque Beto Carrero World oferece.

Veja as cenas das principais atrações que eu mesmo filmei após participar da Maratona Beto Carrero.





Segundo o organizador Kiko, nessa edição houve uma participação de 2.208 corredores sendo 40% mulheres. Para obter mais informações sobre a Maratona Beto Carrero acesse: www.maratonabetocarrero.com.br e para saber sobre todas as atrações do Parque Beto Carrero World acesse: www.betocarrero.com.br

Ligações externas

Fotos da Maratona Beto Carrero
Site oficial da Maratona Beto Carrero
Artigo sobre o Parque Beto Carrero
Artigo sobre o Muncípio de Penha (SC)
Meu endereço do Twitter

quarta-feira, 23 de junho de 2010

7º Desafrio Urubici - Correndo pelo "Shangri-La" brasileiro

Sinceramente quando fiz minha inscrição para correr e fotografar os 52 km do Desafrio Urubici, pensei "acabei literalmente de entrar numa fria", primeiro porque por não estava acostumado a correr em temperaturas próximas do "zero" grau Celsius (temperatura média do ponto mais alto da prova) e segundo porque tinha completado a difícil K42 de Bombinhas apenas 28 dias antes, mas o vídeo promocional da corrida exibindo as belíssimas paisagens do lugar me motivaram a correr, fotografar e completar esta prova que foi minha terceira ultramaratona e posso dizer que valeu muito a pena.

A cidade

O município de Urubici esta localizado no extremo leste da Serra Catarinense e a cerca de 160 km a oeste de Florianópolis.
Urubici tem uma pequena população que não chega aos 11.000 habitantes e uma grande área de 1.019 km², mais que o dobro da área de Porto Alegre (496,8 km2), o que possibilitou uma economia baseada na agricultura, pecuária, apicultura e horticultura (é a maior produtora de hortaliças de Santa Catarina) e ainda possui uma grande área de mata nativa preservada com muitas montanhas, cânions, araucárias, rios, cachoeiras e cascatas.
O centro da cidade esta a uma altitude de 915 metros e o ponto mais alto do município e também do estado é o Morro da Igreja com 1827 metros, isso faz com que Urubici tenha uma das temperaturas mais baixas do Brasil, lá durante o inverno, neva quase todos os anos.

A corrida

A entrega do kit aconteceu na sexta, dia 18 de junho, o destaque do kit ficou por conta da inteligente iniciativa ecológica do organizador Carlos Duarte em usar sacolas de papelão no lugar das de plástico, um bom exemplo que os outros organizadores deveriam seguir, dentro da sacola tinha uma bela camisa de manga longa para correr no frio e uma especie de cachecol esportivo que se adapta de várias maneiras entre o pescoço e toda cabeça, era obrigatório levar manta termica feito de poliéster alumizado que era vendido lá por R$15,00.
A prova ocorreu no sábado, dia 19 de junho, com largada as 7:35 horas no centro da cidade, segundo a lista oficial se inscreveram 162 atletas na categoria individual e 81 duplas, totalizando um recorde de 324 atletas.

Pelos trajes que a maioria dos atletas vestiam a previsão era de neve, parecia que todos os corredores estavam vestidos de esquiadores (incluindo eu), alguns corredores seguiram a linha "Tarzã" e encararam o Desafrio de camisa regata e de calção bem curto.




Pela primeira vez o Desafrio sofreu uma modificação na distância e passou dos 50 km para os 52km, o motivo foi a mudança do local da largada/chegada que era no ginásio de esportes e passou a ser em frente ao hotel oficial da prova que se chama Urubici Park Hotel, local onde ficou hospedado uma boa parte dos participantes, aproveito aqui para fazer uma importante observação, dizem que este hotel é o unico localizado no centro de Urubici, o resto são pousadas, pois bem percebi que os atletas da região sul principalmente gaúchos e catarinenses preferiam as pousadas que apesar de não ser tão luxuosas eram também aconchegantes, fazendo-nos sentir em casa, eu mesmo fiquei hospedado numa pousada alternativa oferecida pela secretaria de turismo da cidade e que tinha mais de 4 quartos vazios, tinha até um belo fogão a lenha, por ser a terra do turismo rural também pode-se ficar hospedado nos vários hotéis fazenda espalhados pela cidade.
Começamos a correr por asfalto totalmente plano por cerca de uns 2 km, depois mais 1 km de paralelepidedo até finalmente chegar nas estradas de terra batida que estavam macias para a alegria dos joelhos, devido a grande humidade do local, foram cerca de 7 km tranquilos onde tivemos os primeiros contatos com a exuberante natureza local, teve até cavalo correndo solto ao lado dos atletas, uma das inusitadas cenas que tive a oportunidade fotografar.

Quando cheguei no trecho de passar a pinguela, dei sorte por não ter corrido tão rápido, pois minutos antes ela tinha arrebentado devido a grande quantidade de corredores querendo passar de uma vez, sorte que ninguém se machucou, devido ao imprevisto a grande maioria dos corredores teve que cruzar a pé o riacho que não era fundo, pois molhava só até a altura do joelho, porém a correnteza tinha força para desiquilibrar qualquer atleta e as várias pedras escorregadias aumetavam o risco de quedas, para mim foi o trecho mais difícil da prova, pois corria o grande risco de ter meu equipamento fotográfico totalmente danificado, depois de atravessar o riacho registrei por fotos a dificuldade de alguns atletas nessa parte da prova, destacando-se a travessia da grande ultramaratonista Maria das Graças Bittencourt Bernardino da cidade de Serra (ES), 62 anos, que conquistou o primeiro lugar na sua categoria de idade com o tempo de 06:55:49.

Por volta do km 11 começaram as trilhas com aclive acentuado e com muito barro, dessa vez vim bem preparado pois tinha comprado um par de tênis Salomon próprio para trilhas, a própria trilha tinha muitos pontos de apoio como pedras, raizes e grama que servem como degraus, logo depois tivemos que passar ao lado de um curral, tinham fechado as porteiras e tivemos que ser forçados a pisar no que pensei que fosse lama mas segundo "especialistas de plantão" era o mais puro esterco, se soubesse vinha correr de galocha, a sorte foi que logo em seguida tinha uma lagoa para lavar os tênis, como sempre depois da tempestade vem a bonança e me deparei com uma das mais bonitas paisagens da região, a Cachoeira Véu de Noiva, aproveitei para lavar meus tênis e claro bater mais algumas fotos.




Chegando no posto do km 17 tivemos a disposição água, isotônicos, refrigerantes, frutas, pães e até sopa quente, é nesse ponto que começa o trecho de asfalto com longas subidas que lembram a Comrades, mas com paisagens mais bonitas.


81 atletas foram levados de carro até a metade do percurso no Morro da Igreja, fato esse que pode limitar a partipação de duplas nessa prova devido aos riscos de atropelamento dos atletas e também dos animais silvestres da região, pois os carros sobem e descem pela mesma estrada de asfalto que os corredores passam, em compensação o Desafrio tem uma vocação para um grande crescimento na participação de corredores na categoria solo, como no caso do conhecido ultramaratonista e treinador Heroi Fung (foto abaixo) da cidade de São Paulo, 62 anos e que completou os 52 km em 06:07:45 conquistando o primeiro lugar em sua categoria de idade.



Por volta do km 21 já dava para ver a torre do CINDACTA que é uma antena de controle do tráfego aéreo, ela esta localizada dentro de uma base militar da Força Aérea Brasileira (FAB) no topo do Morro da Igreja (1827m).




Outro fato curioso foi ter visto um pequeno cachorro ter acompanhado os corredores até o km 26, dizem que ele começou a correr do km 5, mas eu não vi, só sei que pedi para um motorista que estava descendo para levar ele para baixo novamente, pois a noite ele iria morrer de frio e de fome pois não tinha residências na região, esta foi minha boa ação do dia, já o corredor com caimbra eu falei de bricadeira que não precisava levar, pois estava 2 km na minha frente e eu queria alcança-lo, feito que consegui no por volta do km 38.


Ufa! até que enfim, tinha chegado no km 27 e no topo do Morro da Igreja, final da subida e onde tinha outro posto de reposição energética desta vez dentro de uma Pick-up a força do vendo impossibilitava a armação de qualquer barraca, segundo informações fornecidas pelo site "tempoagora" a temperatura no momento que cheguei ao topo era de 7°C com sensação termica de 3°C, o suficiente para tremer de frio devido aos fortes ventos, fiquei neste local por longos 20 minutos, fotografando o posto de abastecimento, a base do Cindacta, os corredores que chegavam e a imperdivel visão da Pedra Furada que só podia ser vista andando apenas 5 metros para direita do Morro da Igreja, subir até lá e não ver a Pedra Furada é igual a ir a Roma e não ver o Papa.





Começando a descer tive a surpresa de encontrar o ultramaratonista Paulo Motta ainda subindo, desejei-lhe boa sorte e aumentei meu ritmo para tirar o atraso, o caminho de volta foi quase o mesmo da ida com algumas diferenças nos trechos de trilha, na volta ultrapassei 13 corredores que fotografei no caminho e na chegada, completei a prova no tempo oficial de 8:14:29.










Segundo informações do site oficial da prova o percurso era composto de 22km de asfalto, 27,5 km de estradas de terra batida e 2,5km de trilhas.
O campeão masculino individual foi Claudiomiro Skoreck de Novo Hamburgo (RS) (04:13:30), no segundo lugar Claudio Clasen Schlindwein de Urubici (SC) (04:22:57) e em terceiro Manuel Lago do Rio de Janeiro (RJ) (04:27:21), no feminino individual a campeã foi Débora Aparecida de Simas de Florianópolis (SC) (05:51:29), em segundo lugar Patrícia Valéria Lima de Souza de Belo Horizonte (MG) (06:08:31) e em terceiro Eliana Maria de Lima de Toledo (PR) (06:11:11), para ter acesso aos resultados de todos os participantes e para obter mais informações desse evento entre no site oficial da prova: http://www.ecofloripa.com.br/desafrio/

Há ia me esquecendo, para quem não conhece o termo "Shangri-La", seria um lugar paradisíaco situado nas montanhas do Himalaia, descrito no filme Horizonte Perdido de 1937 que por sua vez foi baseado no livro de mesmo título do escritor inglês James Hilton.

Ligações externas

Fotos do 7º Desafrio Urubici
Site oficial do 7º Desafrio Urubici
Artigo sobre Urubici
Artigo sobre o Morro da Igreja
Reportagem do Fantástico: Sibéria brasileira no sul do Brasil
Artigo sobre Shangri-La
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